As mudanças históricas do ato sexual

Falamos de sexualidade no último texto, mas vamos aprofundar em um quesito histórico que mudou os rumos daquilo que entendemos como sexo. Sim, o ato em si. E essa mudança histórica foi o advento de métodos contraceptivos, cada vez mais acessíveis, disponíveis e respaldados. 

Com o surgimento, consolidação e uso difundido desses métodos, o sexo passa a ter duas vertentes bastante distintas: sexo com intuito de procriação (que remonta ao início dos tempos) e o sexo com objeto única e exclusivamente de prazer (evitando e impedindo a concepção). Sendo que é claro que um casal que visa engravidar pode ter prazer com isso. 

Mas aí está: sexo como forma de prazer, relações baseadas no desejo sexual – relações efêmeras ou duradouras; inéditas ou repetidas; intensas ou superficiais. As opções são maiores e cada vez mais escancaram aquilo que promove ou não nosso desejo. 

Diante dessa conjuntura, que aos olhos dos mais conservadores pode soar como “hedônica”, temos de falar sobre sexualidade, sobre aquilo que nos excita: relações hetero, homossexuais; quais cenas encenamos; quais fantasias envolvidas; quais limites; quais sensações… uma miríade de vivências. 

Como já exposto, não temos muitos ambientes para tais diálogos, mas as opções são crescentes. E, como já expresso, devemos nos conhecer. Como casar ou se envolver com alguém se não sabemos o que desejamos? Desejos de futuro e, também essencial, desejos na cama. 

Por Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei. 

Instagram: @dr.gustavo.villa.real

O que te promove desejo? O que pode te promover prazer?

Questionar isso a quem já se divorciou ou está divorciando pode soar como tolo. Pois é evidente que, uma vez que a pessoa se casou, ela sabe aquilo que promove interesse desejo carnal. Porém, encarando a realidade, vemos que muitos relacionamentos são pautados por outras questões, como estabilidade financeira, companheirismo a até comodismo. Enquanto a questão sexual, carnal ficam em segundo plano. 

Até pouco tempo, o casamento era pura e simplesmente um contrato social, um pacto entre famílias; mas nos últimos séculos tem se tornado algo a ser escolhido pelo casal. Ser feliz passa a ser um objetivo, um desejo. E a felicidade e satisfação são vivências que dependem de alguns parâmetros, como já citados: estabilidade econômica, companheirismo, intimidade afetiva, um lastro de amizade e, em piores casos, certo comodismo que mantém a relação. 

Apesar do avanço das compreensões acerca do casamento, com essa busca pela satisfação; um aspecto permanece ignoto – o desejo e o prazer carnal, a sexualidade. Quantas conversas ou ambientes saudáveis conhecemos para abordar tal temática? Quantas famílias tem esse diálogo aberto? 

Nossa sexualidade, aquilo que desejamos, aquilo que queremos, aquilo que nos desperta prazer ou instiga são todos pontos a serem desvelados. Infelizmente, como sociedade ainda estamos começando, mas que isso não seja empecilho para que vocês me respondam: o que te dá desejo?

Por: Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei

Instagram:@dr.gustavo.villa.real