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O luto na separação ou divórcio

Muitas vezes um dos cônjuges é pego de surpresa diante de um pedido de separação.

Para essas pessoas que não se aperceberam, pode emergir uma sensação de traição: O outro não tentou melhorar a relação antes de sair dela? Nossa relação não valia a pena?

Nestes casos forma-se um luto de alguém que, apesar de existir e “estar fisicamente acessível”, está psicológica ou emocionalmente ausente e indisponível.

A falta de abertura e de diálogo gera muitas fantasias em quem foi pego de surpresa…

A dúvida, em geral, reduz a autoestima do parceiro, gera confusão…

Essa atitude faz com que os dois tenham mais dificuldade de retomar suas vidas, recomeçar com energia, definir novos propósitos…

Sair de uma relação sem conversar…  é muito ruim para ambos, mas, às vezes, a pessoa que pede a separação ou o divórcio acredita que não consegue ou se nega…

Não vê a possibilidade de pedir ajuda profissional. Um psicoterapeuta individual ou de casal que o/a ajude a se expressar e a se despedir.

Por outro lado, o casal que conversa, se despede, finaliza com respeito sua relação, elabora melhor seu fim, tem mais chance de recomeçar com energia e com a certeza de que leva algo de bom do que vivenciou com aquela pessoa para outros relacionamentos e para a vida. Os filhos, se existirem, também são beneficiados com uma relação mais harmônica que reconhece sua finitude e que recomeça com respeito e dando lugar a tudo o que foi e o que é.

Os filhos aprendem que conversar de forma respeitosa é a melhor forma de encontrarmos uma solução, mesmo que a solução não seja a continuidade da relação.

Quando a conversa a dois não consegue ser respeitosa e harmônica, pode-se buscar um psicoterapeuta de casais que atuará como um mediador, um equilibrador neutro das forças para evitar agressões e ajudar o ex-casal a buscar um bom acordo para a família, em termos emocionais e de cuidados para os cônjuges e para os filhos e, financeiros.
O que acontece se meu cônjuge não concorda em conversar? Essa, em geral, é uma situação de muita dor. Sua elaboração talvez seja um pouco mais difícil. 
Aproxime-se de amigos!

Busque ajuda de um psicoterapeuta, onde você encontra o sigilo e a neutralidade durante suas ponderações e elaborações.

Acolha sua dor! Cuide-se!

Ana Paula Nadalin, psicóloga clínica. Atendo adultos, casais e famílias online e presencialmente em São Paulo/SP.Você me encontra no Instagram: @ana_nadalin

Comunicando a minha separação

A relação amorosa entre duas pessoas não envolve somente elas, mas também as famílias de ambos, os amigos e colegas. Existe todo um sistema de relacionamentos que circundam as uniões e casamentos. Sendo assim, quando a relação chega ao fim, muitas vezes os envolvidos sentem dificuldades em comunicar a situação, mesmo aos mais próximos. Isso ocorre muitas vezes por medo de ser julgada/o, por receio de ouvir comentários que desencorajem a decisão (que algumas vezes demorou anos para ser tomada) ou porque não se quer magoar outras pessoas.

Ocorre de um dos integrantes da relação ser “adotado” como filho pelos sogros, muitas vezes a convivência é intensa e frequente, algumas vezes dentro da mesma casa. 

Uma separação é sempre difícil e em regra gera muito sofrimento, assim, é importante buscar apoio em pessoas de confiança, mas é ainda mais importante buscar pessoas que não julguem ou queiram interferir no processo, ofertando o apoio necessário.

Embora difícil, é importante também buscar compreender que os seus pais ou sogros podem sofrer bastante neste processo, e buscar um diálogo franco e compreensivo, sem cobranças, é primordial.

O fato dos familiares sofrerem com a sua separação, não quer dizer que eles não te apoiam ou à sua decisão, não quer dizer que gostam mais do outro do que de você, mas que eles também sofrem um luto diante das diversas perdas, do seu sofrimento e até do distanciamento que terá da outra pessoa.

Buscar ajuda quando se passa por um processo de separação é necessário para conseguir enxergar além das nuvens do sofrimento e das perdas, gerando uma reconexão consigo mesma/o, com a sua história, com a sua vida.

Tayora Dantas (@taydantaspsi)

Psicóloga CRP 19/1073

Mestre em Psicologia Aplicada

Especialista em Psicologia Conjugal e Familiar

As mudanças históricas do ato sexual

Falamos de sexualidade no último texto, mas vamos aprofundar em um quesito histórico que mudou os rumos daquilo que entendemos como sexo. Sim, o ato em si. E essa mudança histórica foi o advento de métodos contraceptivos, cada vez mais acessíveis, disponíveis e respaldados. 

Com o surgimento, consolidação e uso difundido desses métodos, o sexo passa a ter duas vertentes bastante distintas: sexo com intuito de procriação (que remonta ao início dos tempos) e o sexo com objeto única e exclusivamente de prazer (evitando e impedindo a concepção). Sendo que é claro que um casal que visa engravidar pode ter prazer com isso. 

Mas aí está: sexo como forma de prazer, relações baseadas no desejo sexual – relações efêmeras ou duradouras; inéditas ou repetidas; intensas ou superficiais. As opções são maiores e cada vez mais escancaram aquilo que promove ou não nosso desejo. 

Diante dessa conjuntura, que aos olhos dos mais conservadores pode soar como “hedônica”, temos de falar sobre sexualidade, sobre aquilo que nos excita: relações hetero, homossexuais; quais cenas encenamos; quais fantasias envolvidas; quais limites; quais sensações… uma miríade de vivências. 

Como já exposto, não temos muitos ambientes para tais diálogos, mas as opções são crescentes. E, como já expresso, devemos nos conhecer. Como casar ou se envolver com alguém se não sabemos o que desejamos? Desejos de futuro e, também essencial, desejos na cama. 

Por Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei. 

Instagram: @dr.gustavo.villa.real

O que te promove desejo? O que pode te promover prazer?

Questionar isso a quem já se divorciou ou está divorciando pode soar como tolo. Pois é evidente que, uma vez que a pessoa se casou, ela sabe aquilo que promove interesse desejo carnal. Porém, encarando a realidade, vemos que muitos relacionamentos são pautados por outras questões, como estabilidade financeira, companheirismo a até comodismo. Enquanto a questão sexual, carnal ficam em segundo plano. 

Até pouco tempo, o casamento era pura e simplesmente um contrato social, um pacto entre famílias; mas nos últimos séculos tem se tornado algo a ser escolhido pelo casal. Ser feliz passa a ser um objetivo, um desejo. E a felicidade e satisfação são vivências que dependem de alguns parâmetros, como já citados: estabilidade econômica, companheirismo, intimidade afetiva, um lastro de amizade e, em piores casos, certo comodismo que mantém a relação. 

Apesar do avanço das compreensões acerca do casamento, com essa busca pela satisfação; um aspecto permanece ignoto – o desejo e o prazer carnal, a sexualidade. Quantas conversas ou ambientes saudáveis conhecemos para abordar tal temática? Quantas famílias tem esse diálogo aberto? 

Nossa sexualidade, aquilo que desejamos, aquilo que queremos, aquilo que nos desperta prazer ou instiga são todos pontos a serem desvelados. Infelizmente, como sociedade ainda estamos começando, mas que isso não seja empecilho para que vocês me respondam: o que te dá desejo?

Por: Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei

Instagram:@dr.gustavo.villa.real

O sentimento de fracasso perante o divórcio

É bem comum encarar o processo de separação conjugal como um fracasso pessoal. Frases como: “não consegui salvar meu casamento” ou “me sinto derrotado com a família sendo desfeita” ou ainda “o que eu poderia ter feito de diferente pra isso não acontecer?”. O sentimento de fracasso pode vir recheado por culpas, arrependimentos, tristeza, paralisias, medo do futuro, falta de motivação e/ou impotência. Se este sentimento se mantém por um período prolongado, poderá ficar crônico e desencadear transtornos psicológicos como: ansiedade, crise de pânico, insônia, comportamentos compulsivos… ou mesmo desencadear problemas psicossomáticos como: gastrite, síndrome do intestino irritável, alergias, queda de cabelo, dores articulares dentre outras. 

E por que as pessoas se sentem fracassadas ao término de uma relação? A resposta sempre será única e individual, entretanto, podemos pensar em algumas hipóteses:

  1. Alguém que encara o casamento como uma instituição sagrada, por questões religiosas ou espirituais, interpreta o rompimento como algo errado, pecaminoso e vergonhoso. Um exemplo é que até pouco tempo, a igreja católica excomungou o fiel que se divorciou (ficando este proibido de frequentar qualquer missa) e, caso ele se casasse novamente no civil, era mais um pecado cometido. A máxima “não separe o homem que Deus uniu” é válida e praticada até hoje.
  2. Uma pessoa que de fato dedicou tempo, energia, cuidados, amor e se preocupou com o bem-estar econômico, social e emocional da família – de forma genuína – se sente caindo em um precipício, como se nada mais fizesse sentido. Nesse caso, o sentimento de fracasso surge de forma avassaladora, a pessoa pensa que seus esforços e sentimentos não valeram de nada… Uma associação que pode ajudar a entender é a seguinte: pensa em um funcionário super dedicado, que está sempre disposto a ajudar os colegas, que adianta o trabalho, que fica até mais tarde na empresa, que tem alta produtividade, mas é demitido e sem nenhuma justificativa. A sensação de não reconhecimento, não valorização – se funde ao sentimento de fracasso.    
  3. Uma pessoa que não quer se divorciar por ainda gostar do companheiro(a), também se sente fracassada, pois pode não se sentir digna de ser amada, sentir que seu amor pelo outro não foi suficiente para gerar reciprocidade ou ainda achar que outras pessoas são “melhores” que ela. Nesse caso, o sentimento de fracasso pode se misturar ao sentimento de inferioridade, inutilidade, baixa autoestima e insegurança. Elas podem se sentir incapazes! Incapazes de conquistar, de manter a paixão, o amor… E essa sensação de incapacidade se fundir com uma grande culpa.  
  4. Outra hipótese para o sentimento de fracasso é quando a pessoa sente que falhou na escolha do seu par. É como se ela tivesse obrigação de saber antecipadamente como seria o casamento e se não conseguisse enxergar os possíveis “furos”, conflitos ou incompatibilidades, ela fica frustrada de não ter lido corretamente os sinais e se questiona “Como fui me envolver com uma pessoa assim?”. Esse tipo de frustração se mistura com decepção, culpa e vontade de voltar no passado e ter a oportunidade de não ter escolhido esse(a) parceiro(a).  
  5. Por fim, a separação pode ocorrer no meio de alguma meta importante para o casal – ex. planos de engravidar, de mudar de cidade, de fazer uma viagem. Para ser algo significativo e que gere sentimento de frustração pela não concretização do objetivo, este geralmente foi pensado com antecedência e carinho ou por ambos, ou pelo menos por um dos parceiros. A não realização de um sonho – que poderia estar prestes a acontecer – mas a separação o tornou inviável, pode trazer sentimentos de frustração às vezes tão fortes quanto o próprio divórcio.  

Como falado, estas são apenas algumas possibilidades que desencadeiam a sensação frustrante do rompimento do casamento. Considerando que ninguém se casa pensando na própria separação, é possível pensar que ninguém “tira de letra” neste momento. Mas então, o que fazer quando isto acontece? É possível fazer algo para apaziguar o sofrimento e os sentimentos negativos que podem surgir ao longo do processo? 

Na realidade, cada pessoa vai encontrando aos poucos a sua própria forma de elaborar o luto e seguir em frente. Existem sim, sugestões  que dão certo com muitas pessoas, como: buscar ajuda na sua rede pessoal de apoio – família e amigos podem fazer toda a diferença para atravessar este momento; buscar ajuda psicoterapêutica; estar em um ambiente novo, fazer algum curso, começar algum hobbie, conhecer pessoas diferentes podem ajudar a tirar o foco do sofrimento; buscar ajuda de um bom advogado – para ter segurança perante decisões judiciais se for o caso; fazer alguma viagem para sair da rotina e ter a possibilidade de descansar a mente… Enfim, existem diferentes formas e cada pessoa tem que ver o que faz mais sentido em cada momento. Mas é preciso ter clareza de que sentir frustração ou qualquer outro sentimento que consideramos negativo, é apenas uma fase de um fechamento de um ciclo e, que se tudo correr bem, irá passar e dará espaço para outros tantos sentimentos bons de renovação e abertura para novos caminhos.

Rosa Abaliac Psicóloga Clínica – CRP : 06.115830

Instagram: @rosaabaliacpsi

Os motivos da separação

A convivência a dois é sempre um desafio, pois as pessoas pensam e agem de formas e com motivos diferentes. A separação de um casal gera sofrimento para os envolvidos e pode ocorrer por diversos motivos. Esses motivos podem ser:


1 – Desconexão emocional
2 – Afastamento físico
3 – Surgimento de uma terceira pessoa
4 – Problemas com familiares (pais, sogros, cunhados ou outros)
5 – Problemas financeiros
6 – Educação dos filhos
7 – Relações abusivas (física, psicológica, sexual ou material)
8 – Sem motivos específicos


Das motivações citadas acima, embora todas sejam potencialmente dolorosas, quero destacar a última: quando não há um motivo específico! Nesses casos geralmente passa-se um tempo muito grande entre a tomada de decisão e a comunicação da decisão ao par e a outras pessoas, pois a dúvida é intensa e o medo da crítica também, assim como a dificuldade de aceitação do outro.

As pessoas amigas ou familiares próximos sempre perguntam qual o motivo que levou o casal a se separar, e muitas vezes julgam os motivos como suficientes ou não, com base nas suas vivências. Quando não há um ato violento, uma terceira pessoa ou a interferência de familiares, ou até mesmo problemas com dinheiro, o divorciando tende a sentir-se inseguro e
criticado pelas pessoas.

Se você está passando por um processo de divórcio e separação precisa estar atento às suas necessidades e sentimentos, sem ter que atender aos motivos dos outros para ficar ou sair de uma relação.

Se você é amigo ou familiar de uma pessoa em processo de divórcio, é importante oferecer apoio sem julgamentos, resistindo à tentação em medir a dor e a resistência do outro a partir das suas experiências. Apoio é tudo que uma pessoa que está nessa difícil transição relacional precisa!

Tayora Dantas (@taydantaspsi)
Psicóloga Conjugal e Familiar
Gestão de separação e divórcio
Atendimento Online

História de um casamento

Um filme que não é fácil de assistir; não é um filme simples. Conta sobre a História de um relacionamento – na verdade, aborda muito mais o final e a separação de um casal. Para alguns o nome do filme deveria ser “A autópsia de um casamento”.

Mas é isso, um casal que viveu clara e indiscutivelmente um amor intenso e sincero, mas que não teve uma vida mais duradoura. Surgindo e expondo, então grandes desafios inerentes a um divórcio. Destaco a questão judicial, como proceder e como conciliar interesses. 

É interessante notar que ao longo da trama os protagonistas deixam de se comunicar, deixando para seus advogados o ofício de representar seus interesses e conciliá-los. Diante disso fica evidente que, até mesmo para um divórcio, é necessário dedicação – investindo em diálogo. E deixar isso para terceiros pode prejudicar imensamente o processo. 

O clímax do filme se dá no momento que os protagonistas desistem de se esconder por detrás de seus representantes legais e sentam-se para conversar. Uma cena intimista e repleta de catarse. E nesse momento já estamos envoltos pela obra, vivenciando cada angústia e sentimento. 

Discorrer sobre o enquadramento, roteiro, falas, trejeitos dos personagens, sobre as escolhas do diretor Noah Baumbach seriam questões pouco atrativas, especialmente para aqueles que não viram o filme. Fica então o convite, assistam e vivenciem de forma crua e visceral essa fase de uma relação: o seu final. 

O que gostaria de destacar e aqueles que assistiram a obra poderão compreender melhor ainda é: a beleza em se relacionar com alguém está no investimento. Investimento até mesmo para que o fim dessa história seja autoral e não passivo. Investimento que permeia a relação: desde a tentativa inicial de se aproximar, construir algo, lidar com situações; até, como o filme aborda, a conclusão da relação. 

O mérito está em tentar, em lutar por uma relação e seguir a vida, caso ela não se suceda da forma esperada. 

Por Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei. 

Instagram: Saude Mental (@dr.gustavo.villa.real) • Fotos e vídeos do Instagram

Queixas e problemas frequentes

O acúmulo de determinadas queixas e situações acabam desgastando uma relação. Algumas dessas queixas se repetem, sendo quase que problemas universais dentre os casais que acabam por se separar. 

Uma queixa recorrente e relevante é a falta de investimento – como se a inércia tomasse conta da interação, sem maior tentativa em melhorar a intimidade, a comunicação, os momentos de lazer, dentre outras instâncias. E é fato que sem investimento a relação cai na banalidade, na rotina. 

Investir demanda tempo e cuidado. É processo de deixar outros problemas de lado e dedicar o melhor ao seu parceiro(a). De modo que é necessário comprometimento para tal investimento. 

Outra situação crítica é o descobrimento de uma traição. E esse é um dos mais frequentes motivos que levam ao rompimento. Porém a enorme tendência que existe de uma traição em promover um término não é proporcional a facilidade que esse processo pode ter. 

O que quero dizer: pode soar óbvio para muitos de nós que tal casal se separou depois de um deles descobrir a infidelidade do outro. Mas o processo envolvido é extremamente denso – pois trata-se da mesma forma de um divórcio, com todas suas complexidades. A diferença é que muitas vezes o processo ocorre de forma mais veloz. 

Quando a infidelidade é constatada, quem sofre com tal informação tem, muito rapidamente, que decidir o que fará. As fases do divórcio se sucedem (desde contemplação, até a execução), sem muita reflexão. E seria difícil de cobrar algo mais parcimonioso. 

Além disso, diante da experiência clínica de alguns de meus mestres aprendi que a infidelidade carnal (para falar o português claro, sexual) dói e desestabiliza uma relação, colocando esta em cheque. Mas muito mais taxativa costuma ser a infidelidade afetiva e, ainda pior, a financeira. 

A razão para essa curiosa constatação é imprecisa e mera especulação – talvez o cônjuge traído entenda a conjunção carnal como algo relacionado a um impulso, algo instintivo. Enquanto envolvimento afetivo ou traição financeira como situações mais elaboradas e racionais. Dessa forma a punição e o estrago costumam ser maiores. 

Enfim, refletir sobre agentes que promovem desgaste e culminam com divórcios é um estudo teórico; para que possamos ajudar aqueles que sofrem ou outrora sofreram com tais situações. 

Por Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei. 

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As fases do divórcio

Retomando as fases que compõe esse momento delicado e que pode servir para mudança… não é do dia para a noite que alguém decide encerrar uma relação. Há muito em jogo: expectativas, sonhos, compromissos, responsabilidades, afetos e até algum grau de comodismo.

Em um primeiro momento existe uma contemplação – reflexão e quase que uma equação. Para ser sintético, posso dizer: se o resultado for positivo, a tendência é de continuidade; se neutro também. Muitas vezes até o resultado negativo pode levar um tempo para culminar com o término. Não é uma conta simples, existem muitas variáveis.

Ainda mais em um país ainda em desenvolvimento, onde um divórcio tem implicações financeiras e estruturais. Após a contemplação, tendo se optado pelo rompimento, caminhamos para o anúncio.

E aqui destaco que por vezes o anúncio não é exatamente definitivo; podendo servir como “pedido de socorro para a relação”. Mas caso seja o anúncio verdadeiro e taxativo, adentramos uma nova fase – talvez a mais desafiante.

A reconstrução é inexorável e dispende suor, afinco e cuidado. É preciso ter gana para reestruturar uma vida; mas também cuidado com sigo mesmo. Se não tivermos atenção, aqueles modelos já vigentes podem ser repetidos e consolidados em novas relações.

E, dia após dia, o término (no nosso caso de discussão, o divórcio) é concretizado – mudanças se sucedem: no âmbito infraestrutural, financeiro, afetivo, social, familiar, dentre tantos.

Lembremos que o terreno deixado vazio após a saída de alguém de nossas vidas deverá, aos poucos, ser preenchido e reocupado. E, de novo, reforço o alerta para que essa ocupação seja bem feita. Que nossos corações voltem a ser preenchidos por algo que vale verdadeiramente a pena em ser amado.

Por Gustavo Villa Real, médico (CRM 209727/SP), psicanalista e colaborador do Idivorciei. 

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O que existe por trás de uma separação?

Um conflito sempre aponta nosso desequilíbrio. No dia a dia, enfrentamos conflitos externos com parceiro(a), filho(a), chefe e colegas de trabalho, que refletem nossos próprios conflitos internos. E onde há conflito, há desordem. Vemos muitos sinais de que algo não está bem, mas passamos por cima de tudo, sem perceber que basta olhar para isso para mudar todo o resto da nossa história. Ninguém é vítima. Se existe um problema, existe uma solução.

 “Onde o amor se perdeu?” e “para onde esse conflito olha?”. Muitas vezes cedemos a um impulso de defender alguém ou de querer se vingar de algum acontecimento passado. Na relação de casal, um busca no outro algo que não consegue resolver no próprio sistema familiar e vice-versa. Muitos conflitos surgem do fato de que um “filhinho da mamãe” ainda não saiu da esfera da mãe e migrou para o pai para se tornar homem, ou então, uma “filhinha do papai” não saiu da esfera do pai e migrou para a mãe para se tornar mulher. O equilíbrio do homem com seu masculino e da mulher com seu feminino muda tudo no relacionamento a dois.

Uma relação de casal só tem futuro quando acontece entre iguais, entre dois adultos que aceitam seu pai e sua mãe como são e como foram, sem julgamentos ou críticas para que possa crescer com amor e respeito.

Um casal pode, sim, ter uma boa separação, em que ambos reconhecem o amor que existiu entre eles, muitas vezes gerando um filho. A relação acaba, mas permanece o vínculo e, como pai e mãe sempre estarão conectados um ao outro. Apesar do divórcio, é possível encontrar a paz e manter uma reconciliação que faça bem ao pai, mãe e filho(s).

O conflito nos convida a tomar uma postura de adulto, de assumir o que é, como é, livre de julgamentos. Através da Constelação é possível olhar de uma forma nova para a relação como base da família e transmissão da vida, de onde tiramos nossa própria energia.

Instagram: https://www.instagram.com/lelia_pace/

*Lélia Pace é Consteladora Sistêmica Familiar, Master em PNL, especialista em relacionamentos saudáveis e resolução de conflitos.